Quase 70% dos usuários de Android recusam ser rastreados quando perguntados por seus apps

O mundo atual é moldado pelo impacto que as indústrias da tecnologia causaram no cotidiano de praticamente todas as pessoas. É inimaginável uma realidade onde não tenhamos em nossos bolsos um smartphone constantemente conectado à internet, mesmo que pela maior parte da história tenhamos vivido assim. Ainda mais em 2020, em meio à pandemia do novo coronavírus, o papel dos celulares em nossas vidas tem crescido constantemente – aproximando família e amigos, permitindo novos moldes de trabalho, capturando fotos e vídeos de nossas memórias, enfim, as necessidades cresceram e hoje em dia para qualquer problema temos um app como solução.

Nesse universo de apps para tudo, e de aparelhos cada vez mais poderosos e repletos de sensores, às vezes acabamos nos esquecendo de uma vítima cada vez maior no século 21: A privacidade. Se alguém de algumas décadas atrás ouvisse que empresas de terceiros, que sequer sabemos o nome, possuem constante acesso à nossa localização, contatos, interesses, histórico de buscas, dados biométricos e faciais, voz, padrões de atividade, e trabalho, acreditariam que o futuro é uma distopia terrível de um livro de ficção científica. Mas, aos poucos, foi nessa realidade que nos inserimos. Por isso, sistemas como o Android e iOS tem adicionado cada vez mais opções de controle para que o usuário tente proteger sua privacidade. Mas será que os utilizadores adotaram esses recursos? Confira.

Alertas de privacidade

Um recurso importante nos sistemas de smartphones atuais são os alertas de permissão. Antigamente, em sistemas tradicionais para desktop como o Windows, o aplicativo não necessitava de permissão ou sequer alertava o usuário quanto aos dados e sensores acessados. Já no iPhone, desde sua introdução, apps precisavam de permissão para acessar tarefas básicas como localização e câmera.

Mas atenção, muitos aplicativos não solicitam permissões para coleta de dados como localização e contatos, mas ainda assim possuem esses dados. A única forma de proteger por completo a privacidade é se munindo com ferramentas adicionais, se quero esconder meu IP e evitar uma biblioteca como a Google Analytics, por exemplo, preciso instalar uma VPN. Se desejo evitar bibliotecas que constroem perfis para aumentar preços em lojas virtuais, convém utilizar mais de um navegador, como o Mozilla Firefox e Microsoft Edge, além do padrão.

Como os aplicativos conseguem os dados adicionais? Através de bibliotecas de terceiros, espalhadas em sites e apps diversos, que gradativamente coletam dados e constroem um perfil sobre cada pessoa.

No Android, a permissão era concedida no ato da instalação, mas atualmente, o sistema ganhou formas muito mais robustas e semelhantes ao iOS, com controle granular de cada permissão e sensor, além de alertas no momento em que um app tenta acessar os dados. Por exemplo, ao solicitar acesso contínuo a localização em um app de mapas, um alerta aparece para o usuário que pode mediar esse acesso com diversas opções de frequência. Hoje em dia, tanto o iOS 13 como o Android 10 possuem recursos avançados de segurança e privacidade para apps.

Comportamento dos usuários

Mas a presença dos recursos de privacidade não implica, necessariamente, que os usuários façam bom proveito dos alertas de segurança. Para explorar mais essa questão, a empresa americana Pollfish conduziu um estudo com 200 participantes para analisar a resposta dos usuários às solicitações de rastreamento. Os dados exibiram que:

67,5% dos usuários de Android e 68,3% dos usuários de iOS tendem a recusar rastreamento, quando são perguntados dentro do próprio aplicativo

O percentual demonstra que sim, uma parcela significativa dos usuários demonstra preocupação com a sua privacidade, e que se o controle de seus dados for acessível – como os alertas que aparecem dentro do próprio app – irão optar por não serem rastreados. Nas versões atuais de sistemas como o iOS, o desenvolvedor pode fornecer uma explicação sobre a coleta dos dados no mesmo painel que exige a permissão, nesse caso, 20% dos usuários de iPhone e 24% dos usuários de Android disseram que poderiam mudar de opinião caso a justificativa apresentada seja convincente.

38,1% dos usuários de Android e 38,6% dos usuários de iOS considerariam permitir o rastreamento, caso recebessem bens virtuais como recompensa

Essa estratégia tem sido muito debatida dentro das áreas de marketing virtual e tecnologia big data: Ao oferecer ao usuário alguma recompensa pela violação da privacidade, é mais fácil convencer uma grande parcela de pessoas a fornecerem seus dados. Isso é visível em apps populares que trocam dados dos usuários, como buscas na internet, por moedas que podem ser resgatadas por prêmios em lojas como a Amazon. Mas em grande escala, é a estratégia adotada por grandes empresas como a Google, que oferecem serviços grátis como o Gmail em troca de dados dos usuários, nesse exemplo, lendo o conteúdo das mensagens de email.

Isso é o suficiente?

Conforme os dados anteriores, é visível que as ferramentas nativas aos sistemas operacionais como o Android incentivam os usuários a combater a coleta exacerbada de seus dados. No entanto, as plataformas não são capazes de combater todos os tipos de rastreamento que podem ser encontrados em apps.

Aplicativos muito populares estão sendo alvo de investigações à respeito da grande coleta de dados pessoais de seus usuários. O TikTok tem sido acusado de invadir a privacidade de crianças, e está sendo bloqueado em diversos países pela suspeita de partilha de dados com o governo Chinês. Muitos outros produtos e serviços digitais tem como principal fonte de renda a violação da privacidade de seus próprios usuários.

Conclusão

Embora extremamente úteis e valiosos, os smartphones com Android também podem nos expor à diversos problemas modernos, como a perda de nossa privacidade digital. Por isso, é importante se atentar aos recursos do sistema e de terceiros que podem nos ajudar a recuperar o controle sobre nossos dados mais importantes, tomando decisões informadas e transparentes sobre a magnitude da exposição de nossas vidas. E para melhorar ainda mais sua privacidade, aprenda a ligar com número privado no Android.